PANDEMIA E DEMOCRACHIA

            Não escrevi errado. É isso, a democracia chia na pandemia. Quando um vírus ameaça uma matança geral mundo afora, querendo repetir a gripe espanhola que ceifou a vida 50 milhões para uns, 100 milhões para outros, algo mais do que as duas guerras mundiais combinadas, o direito de ir e vir, de dispor do próprio corpo como bem entender são os primeiros a ir para o beleléu. Praticamente ninguém protesta, quando se sente o bafo do primeiro cavaleiro do Apocalipse. Poucos levantaram a voz contra uma declaração de tal calibre do governador João Dória de São Paulo ao impor a quarentena em todos os municípios do Estado.

            - Saímos do campo da recomendação. É um decreto.

            Na Europa, onde o primeiro cavaleiro está bastante ocupado, as recomendações governamentais são praticamente decretos: toque de recolher na Alemanha, a não ser que se prove necessidade urgente (comprar comida e itens essenciais), pesadas imposições de cruzamento das fronteiras até então abertas dos 30 países que assinaram o Tratado de Schengen,  a grande maioria da União Europeia. Mesmo a fronteira da Holanda e Bélgica, onde se passa de um país ao outro sem perceber, está fechada, a não ser que se prove necessidade inadiável. Restrições praticamente idênticas as tomadas pelo Brasil nas fronteiras com seus vizinhos.

            Aonde isso tudo vai parar ninguém ainda sabe direito. Pelo momento, por trás das decisões governamentais, estamos mais ou menos sob uma ditadura tecnocrata, ditada pela comunidade científica, sobretudo pela área da medicina. Por mais libertário que um indivíduo possa ser, praticamente ninguém se sente a vontade em sair às ruas gritando contra as autoridades que têm nas mãos, como os cavaleiros do Apocalipse, uma foice para ceifar as liberdades individuais. Com o aval da Organização Mundial da Saúde, ao classificar o coronavírus de pandemia, há o perigo de muitos filhotes de ditadores tomarem gosto de uma situação onde a maioria está confinada em suas casas morrendo da doença e medo. Um 1984 de George Well pode ser pior do que o corona.

            Vencido o vírus, será necessário um protesto global para torcer o pepiino dos que tomaram gosto pelo autoritarismo e obriga-los  a tomar as medidas para implementar a prevenção contra novas epidemias, conforme recomentou Bill Gates em brilhante conferência em 2015.

Tarcisio Lage – 23/03/2020

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